O trabalho liberta - 21 de setembro de 2018

O trabalho liberta

A falta de compreensão do que vem ocorrendo no mundo é o caminho mais fácil para se chegar a intolerância. 
A intolerância gera atitudes agressivas e odiosas de caráter religioso, político ou outro qualquer. 
Portanto, precisamos compreender o que acontece ao nosso redor hoje, analisar as conjunturas e circunstâncias do momento para não cair na tentação de repetir erros torturantes do passado.

Em 2012 fui com a Rute conhecer o Leste Europeu. Passamos pela pequena cidade de Auschwitz, que junto com Birkenau formavam uma rede de campos de concentração localizados no sul da Polônia, que funcionou de 1940 até 1944.

A história registra que durante a II Guerra Mundial, nos campos de concentração alemães, foram mortos aproximadamente um milhão e meio de judeus.

Antes de entramos nos prédio visitamos a estação onde chegavam os trens trazendo os judeus para o sacrifício. 
Em média, chegavam 10 trens por dia, com até 50 vagões e cerca de 50 a 100 pessoas cada. 
Hitler tinha o projeto diabólico de conceber uma raça superior, pura, a raça ariana.

Havia árvores na entrada do campo de concentração. 
Ao cruzar o portão se lê em alemão a frase cunhada em ferro fundido "Arbeit macht frei" - "O trabalho liberta".

Para não pensarem que iam morrer, os judeus eram recepcionados por uma banda de música e depois selecionados. 
Mulheres e crianças para um lado, homens para outro. Os homens eram separados pela condição física, os que podiam trabalhar eram levados para outro ambiente. Os considerados inválidos, homens e mulheres, eram eliminados, juntamente com as crianças.

Os que escapavam da morte logo na chegada eram tatuados, marcados com uma sequência de números no braço. O eslovaco Ludwig Eisenberg que chegou em 1942 recebeu o número 32407, ele afirmou que a tatuagem veio a se tornar um dos símbolos mais poderosos do holocausto. 
Ludwig conseguiu escapar de Auschwitz onde chegou a exercer o cargo de tatuador. (A australiana Heather Morris baseada na história de Ludwig Eisenber escreveu o livro "O tatuador de Auschwitz")

Trabalhavam como escravos em condições deploráveis, recebendo pouca comida, sem atendimento médico, vivendo em fétidos alojamentos. Logo compreenderiam que ali o trabalho não iria libertá-los.

No início os prisioneiros eram fuzilados e enterrados. Depois para não deixarem vestígios do massacre, entraram em operação os fornos crematórios que recebiam os corpos que vinham da câmara de gás para serem transformados em cinza.

Passeando pelos corredores do campo de concentração é impossível não lembrar dos horrores da II Guerra Mundial. São 32 pavilhões que representam o que podemos chamar de complexo de Auschwitz. Ao redor as guaritas com as sentinelas.

E pensar que o homem que construiu e conduziu as torturas em Auschwitz e Birkenau foi o mesmo que inventou a roda e a prensa, construiu o Parlamento Húngaro e a Capela Cistina.

No primeiro pavilhão que entramos havia uma exposição de fotografias que mostravam os horrores que aconteciam em Auschwitz. 
Nesse mesmo pavilhão vimos as pedras de gás que eram soltas pela chaminé para dentro das câmaras de gás onde estavam amontoados os presos. 
Eram levados para esse ambiente pensando que iam tomar banho, mas estavam sendo conduzidos para o encontro com a morte.

As mulheres que tinham cabelos compridos eram separadas e encaminhadas para terem seus cabelos cortados rente. 
O cabelo era comercializado com as fábricas de peruca e ajudavam na manutenção de Auschwitz. Em uma sala estavam os objetos pessoais utilizados pelos prisioneiros: pentes, escova de dente, pinicos, dentaduras, muletas, sapatos e as latas de tintas para engraxar os sapatos, barbeadores, óculos, bonecas...

Passamos pelo pavilhão 11, quem ia pra lá não saía vivo. 
Na entrada do pavilhão o retrato do Fuhrer Adolf Hitler. 
Fiquei a observar o semblante, o cenho sempre fechados dos visitantes. Ninguém ri, todos circunspectos, horrorizados, creio que esta é a palavra certa. 
É o que se sente diante das evidências da tortura alemã contra o mundo judeu.

O homem de hoje é igual ao homem de ontem, semelhante ao homem de amanhã.

Visitamos a primeira câmara de gás que funcionou em Auschwitz, que depois foi adaptada para receber mais prisioneiros. 
Um ambiente escuro, teto baixo, ao lado o crematório que recebia os corpos para serem transformado em pó. 
Em 27 de janeiro de 1945 os presos foram libertados pelos russos. Os sobreviventes ao retornarem para suas cidades, depois de terem sofrido tanto, não sabiam mais viver. 
Tinham perdido os parentes, amigos, a dignidade, a fé em Deus. Nessas circunstâncias muitos recorreram ao suicídio.

Todo ser humano deveria ter oportunidade de visitar o campo de concentração de Auschwitz, ou ler sobre ele.

É preciso que seja divulgada a sua história para que não seja reeditada por um indivíduo ou um partido político com ideias totalitárias. Os primeiros acordes dessas tragédias são quase imperceptíveis.




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