A família Campo Novo - 15 anos - 12.01.2019

A família Campo Novo - 15 anos

Década de 1980. 
Nessa época ainda não tínhamos uma casa para chamar de nossa. Vivíamos jogando nossas peladas no campo dos outros.

Em dezembro de 1994 nos reunimos no Brasil Grande Hotel para tratar da compra de um terreno, localizado próximo da comunidade de Cocurunã, na estrada de Alter do Chão. Indicação do peladeiro Jubal Cabral, geólogo que hoje reside em Itaituba.

Adquirida a área, ficamos com o terreno em compasso de espera, sem ter nada definido sobre a sua imediata utilização. Desde 1981 jogávamos nossas peladas de sábado no campo da Cosanpa, perto do Igarapé do Irurá, comunidade do Santarenzinho.

Passados oito anos da aquisição do terreno, em março de 2002, o sindicato da Cosanpa, sem nos avisar com antecedência, interditou o campo alegando que iriam reformar o gramado. 
De maneira dissimulada, fomos "expulsos" de lá.

Não tínhamos direito de reclamar, afinal o campo era da Companhia, que podia fazer o que bem entendesse com ele. Lá brincávamos como convidados do Abelardo e Wsnand, diretores da empresa. 
Passamos a jogar no campo do Iate Clube, ficando um curto período pela Polícia Militar.

Com a "expulsão", já que tínhamos um terreno, o desejo pela criação do nosso próprio campo de pelada foi ativado. 
Assim surgiu o Campo Novo, quando forçados pelas circunstâncias, resolvemos transformar vontade em realidade.

No dia dez de janeiro de 2004, um sábado, foi inaugurado o gramado. Nesse dia aconteceu a primeira pelada. Passamos de inquilinos a proprietários. Do necessário caos se fez a ordem.

Numa trama do destino marquei o primeiro gol do Campo Novo, de pênalti. Um belo gol, diga-se de passagem, que ficará para sempre registrado na história do Clube. 
O nome Campo Novo foi escolhido numa reunião na residência do Renato Marinho, sugerido pelo amigo peladeiro Eduardo Pinheiro. Na verdade, Associação Esportiva Campo Novo.

Nesses 15 anos de existência o Campo Novo cresceu em organização e patrimônio, hoje é um dos tradicionais clubes de pelada de Santarém. Uma confraria que se reúne todos os sábados para usufruir de momentos agradáveis, onde o bom papo, a cerveja e o tira-gosto pontificam após o apito final do árbitro. E não tem hora para terminar!

Quinze anos em 2019. Toda celebração é festa! 
Nas festas, coisas boas acontecem e, mais do que os prazeres de comer e beber, festejar tem como finalidade o cultivo das relações interpessoais e a valorização de determinado acontecimento, que no nosso caso no Campo Novo, há 15 anos, é a pelada nas tardes/noites de sábado.

Lá, valorizamos nossos sábados por meio de gestos e sinais: futebol, música, bate papo, cerveja, abraços, cumprimentos, parabéns, despedidas. 
Nós, peladeiros, tomamos parte dessa festa semanal por meio desses sinais e gestos, é a nossa forma de comunhão, de fraternidade, que vem alimentando nossos espíritos há três lustros.

Qualquer gesto ou sinal que não se enquadre nesses princípios que norteiam a nossa celebração, a nossa festa semanal, é reprovado e banido da nossa irmandade, sem violência. 
Não se faz nada de bom nem definitivo por meio da força e da violência, portanto nada justifica a sua prática. No Campo Novo, procuramos nos diferenciar nem tanto pelo que fazemos, mas pelo jeito de fazer.

A cada sábado participamos de uma disputa em que todos procuram a vitória. Sei que não é fácil, mas é necessário que se entenda que a grande vitória não está no placar conquistado dentro de campo, mas no simples fato de estarmos dentro de campo jogando, de podermos confraternizar com os amigos depois do futebol. 
A idade avança, mas continuamos firmes a nos divertir, esquecendo as agruras, desviando o pensamento para o lado bom da vida. Enquanto nossos filhos e netos são preparados para nos substituir.

O placar é o que menos importa, servindo somente para definir quem paga as cervejas da aposta, quem tira sarro da cara de quem. 
Ele não mede o grau de sucesso ou insucesso da pelada do Campo Novo, nem o grau de satisfação dos seus peladeiros. Isso é medido pela nossa capacidade de vivermos em fraternidade, respeitando a maneira de ver, sentir e reagir aos atos e fatos da vida, peculiar à cada individuo.

Mesmo com a disputa sendo encarada com esse sentimento, não agimos como se estivéssemos a brincar num seminário sob o olhar do capelão, nem tampouco aceitar que a força física seja a mediadora de nossas necessárias diferenças. Para não fugir à regra das peladas, de vez em quando um desentendimento dentro de campo é compreensível, nessas horas as expulsões acontecem e tudo é resolvido ainda no gramado.

Por gratidão, menciono dois nomes que muito fizeram nessa trajetória de 15 anos do Campo Novo: Renato Marinho e Argemiro Nogueira.

Gratidão também aos homens que garantem o sucesso da pelada: Seu Manuel, que cuida do churrasco, e o Cabeça, responsável pelo bar. Sem eles eu já teria pendurado as chuteiras. 
Com a bola, são as figuras mais importantes da Associação Esportiva Campo Novo.


     


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