Potencial: Até quando? - 02.05.2007

Meus amigos, há anos venho participando de eventos que tratam principalmente de agricultura e turismo, com o objetivo de discutir o desenvolvimento sócio-econômico sustentável da Região, o que fazer para conseguir esse desenvolvimento que é desejo de todos e, para não parecer démodé, de todas também.
Nesses encontros, a palavra mais utilizada pelos palestrantes é potencial, nela projetam seus sonhos de desenvolvimento. Já estou de cabelos brancos de tanto ouvir falarem enaltecendo o “potencial de Santarém e Médio Amazonas”. Potencial nisso, potencial naquilo!

Acontece que potencial é virtual, não passa de uma possibilidade, é algo que pode vir a ser. O grande desafio é transformar o potencial identificado em riqueza. Identificar potenciais é moleza, existem especialistas espalhados pelos quatro quadrantes do Planeta, mas estamos precisando mesmo é de transformadores de potencial em riqueza.
E só existe uma maneira de se transformar potencial em riqueza, é através de investimento, seja ele público ou privado. Ainda não conseguiram descobrir outro expediente. Verificando o que foi investido nesse início de século em agricultura e turismo em Santarém e Médio Amazonas, fico a imaginar o quanto teremos ainda de ouvir falar em potencial turístico por essas bandas.

Toquei no turismo, porque li que “toda pessoa, sem distinção de raça, sexo, língua e religião, que viaje e permaneça pelo prazo mínimo de 24 horas e máximo de seis meses, no transcorrer de um período de 12 meses, com finalidade de recreio, esporte, saúde, visitar familiares, estudos, peregrinações religiosas ou negócios, mas sem propósito de imigração”, é considerada turista.

Ora, se ser turista é isso, viajar e fazer uma dessas coisas sem intenção de ficar morando por aqui, esses nossos irmãos que chegam e saem de barco de Santarém, aos milhares todos os dias, oriundos de cidades vizinhas ou nem tanto, vilas, igarapés, furos e paranás, também são turistas. Com um detalhe, para eles não existe temporada de férias, de janeiro a dezembro chegam aos borbotões trazendo o “real” que irriga o comércio da Av. Tapajós e entorno. Dinheiro certo, seguro, que poderia muito bem ser contabilizado para podermos medir sua influência na economia da cidade.
Dinheiro proveniente dos programas sociais do governo, produção da agricultura familiar (farinha, peixe, frutas, verduras, fibras naturais), aposentadorias, etc..
Muitos chegam à procura dos serviços que Santarém dispõe nas várias atividades profissionais, ou para se divertirem nas festas profanas e religiosas que a "Capital" oferece, ou mesmo adquirir produtos que só aqui encontram. Esse contingente de pessoas não é percebido pelas autoridades locais e por ninguém como turistas, são tratados na galega, frequentemente ludibriados pelas mais diferentes formas de trapaça.

Bem diferente dos turistas estrangeiros, nosso turista tupiniquim não é recebido com danças folclóricas ou coisa parecida, não possuem nem mesmo um lugar digno para desembarcar com a família. Há pouco foi inaugurado um Terminal Fluvial Turístico na orla da cidade, mas lá a proa dos seus barcos não pode encostar.

A promessa da construção de uma hidroviária no Tapajós para atender os passageiros de barco vem de longe, se arrasta há décadas e não consegue sair da promessa.

O Turismo é a atividade do setor terciário que mais cresce no Brasil, tendo como carro chefe o Ecoturismo. As revistas especializadas informam que o setor movimenta no mundo, direta ou indiretamente, mais de U$ 3,5 trilhões, sendo o meio lícito que mais movimenta dinheiro, atrás somente da indústria bélica e do narcotráfico, meios ilícito.

Pelo visto, não se pode desprezar uma atividade desse porte, ainda mais quando a região é reconhecida pelo seu “potencial” para desenvolver um turismo receptivo de primeira qualidade, tendo como base os atrativos naturais que dispõe em abundância: Amazônia, encontro das águas, fauna e flora, praias, Cidade dos Deuses, águas sulfurosas, serras, cachoeiras, inscrições rupestres, sambaquis, etc., tudo isso acompanhado de um povo hospitaleiro.

Mas, sem investimento os atrativos naturais não passam de potencial.
A bauxita de Juruti sem o investimento maciço da Alcoa nunca sairia da potencialidade e a região ficaria sem usufruir das riquezas do seu subsolo. Dentro de pouco tempo a bauxita sairá do fundo da Terra para ser transformada em alumina e seguir o seu destino, gerando emprego e renda por onde passa.

Se a riqueza gerada irá contribuir para a melhoria de vida da população local e ser distribuída ao povo de Juruti em forma de saúde, educação, lazer, saneamento básico, é a dúvida que historicamente acompanha todo grande investimento na Amazônia.

É difícil acreditar que em Juruti será diferente, pois os investimentos anteriores não contribuiram com a melhoria de vida da população. 




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