O Cavalo, o Caçador e o Cervo - 20 de outubro de 2018

O Cavalo, o Caçador e o Cervo

Esopo foi um escravo que viveu no século VI. a.C., na Grécia antiga. 
Ele inventava histórias em que os animais eram os principais personagens. Como era analfabeto, contava-as para o povo que por sua vez, se encarregou de reproduzi-las. 
Duzentos anos depois de sua morte é que as fábulas foram escritas.

Hoje em dia não sei se as crianças ainda escutam dos pais, dos professores nas salas de aula, ou já leram as fábulas de Esopo, contadas especialmente para elas. E para nós, adultos, também.

Aquelas historinhas em que os animais apresentam características humanas e, através das situações que os envolve e dos diálogos entre eles, Esopo procurava transmitir sabedoria e caráter moral aos seus atentos ouvintes. 

Nelas a formiga representava o trabalho; a raposa, a astúcia; o leão, a força; a cigarra, a doce vida etc... Todas terminavam com uma frase, a famosa "Moral da história".

Um dos maiores divulgadores das fábulas de Esopo foi o francês Jean de La Fontaine (1621-1695). 
No Brasil, o humorista Millôr Fernandes dava seu toque de humor nas fábulas para retratar a realidade brasileira. 
No seu livro "Fábulas Fabulosas", editado em 1976, Millor oferece no final de cada narrativa uma "Moral da história" em forma de protesto contra o regime autoritário que se impunha na época. 

Estou lendo o livro "Como morrem as democracias", editado em 2018, dos conceituados professores de Harvard, Steven Levitsky & Daniel Ziblatt. 
Nele, os autores tentam alertar sobre os perigos que a democracia americana enfrenta hoje, "quando um político sem experiência em cargos públicos, e com pouco apego visível aos direitos constitucionais, e claras tendências autoritárias foi eleito presidente". 

O livro discute o modo como a eleição de Donald Trump se tornou possível. Sucesso de público e de crítica nos Estados Unidos e na Europa, sua leitura pode iluminar o momento conturbado que vivemos no Brasil. 

"Alianças fatídicas" é o título do primeiro capítulo do livro, que justifica o porquê de eu ter iniciado meu arrazoado falando de Esopo e suas fábulas. O capítulo começa com a fábula "O Cavalo, o Caçador e o Cervo".

Aqui a fábula:

Havia surgido uma séria rixa entre o Cavalo e o Cervo, pelo que o Cavalo foi ter com um Caçador para lhe pedir sua ajuda a fim de se vingar do Cervo. O Caçador concordou, mas disse: 
- Se desejas conquistar o Cervo, terás de permitir que eu coloque este pedaço de ferro entre as tuas mandíbulas, para que te possa guiar com estas rédeas, e terás de deixar que esta sela seja posta nas tuas costas, para que eu possa manter-me direito em cima de ti enquanto perseguimos o inimigo. 
O Cavalo concordou com as condições e, assim, o Caçador fixou nele sela e freio. Depois, com a ajuda do Caçador, o Cavalo dominou o Veado e disse ao Caçador: 
- Agora desmonta, e tira as tuas coisas da minha boca e das minhas costas.
- Calma aí, amigo, disse o Caçador. Tenho-te agora sob meu controle e prefiro manter-te como estás agora 

Para complementar a fábula de Esopo "O Cavalo, o Caçador e o Cervo" qual a "Moral da história" que você escreveria? No livro os autores Steven & Daniel a deixaram sem a frase final. 




Comentários

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Comentários

  1. Ana Marques Em 2019-03-23

    Moral: Quem se associa aos poderosos pensando em proveito próprio acaba dominado por eles.