Irmão Ronaldo Henn e a Pastoral do Menor - 20.06.2019

Irmão Ronaldo Henn e a Pastoral do Menor

Uma das certezas da vida é que devemos aprender conviver com as suas dicotomias.
Entendê-las para poder nos comportar sem ter que desrespeitar, ofender a própria vida.
Ontem escrevi sobre a partida do amigo Hélcio Amaral; hoje escrevo sobre a chegada do Irmão Ronaldo.
Tristeza ontem, alegria hoje!

Dentro da programação comemorativa dos 358 anos da chegada do jesuíta João Felipe Bettendorf a Santarém, para fundar a Missão dos Tapajós, está o lançamento do livro "Pastoral do Menor", escrito pelo Irmão Ronaldo David Henn.

Livro editado pelo ICBS, em parceria com a Imprensa Oficial do Estado do Pará (IOE), Congregação de Santa Cruz (CSC) e Governo Municipal. O lançamento foi realizado na sede da Pastoral do Menor, às 17 horas do dia 19 de junho. Ontem!

A história da Pastoral do Menor em Santarém se confunde com a própria história do Irmão Ronaldo. A inspiração inicial de acompanhar e cuidar dos meninos e menores de rua veio do Dom Tiago.

Dom Tiago foi um missionário na acepção pura da palavra. Pregava e divulgava sua fé através de ações, sempre a olhar para o povo, para as crianças e adolescentes, como as que perambulavam pela Praça da Matriz.
O que o bispo via todos os dias, da janela do seu escritório localizado ao lado da Catedral, incomodava a sua consciência cristã.

”Eram meninos engraxates hora trabalhando, hora brincando, hora brigando e, muitas vezes, incomodando os frequentadores da Praça, um lugar de descanso e também de negócios", como lembra Irmão Ronaldo no seu livro.

Em 1982, em conversa com Irmão Ronaldo, Dom Tiago resolveu fazer alguma coisa para ajudar essas crianças e jovens que viviam em situação de risco.
Nascia, nesse instante, a ideia da criação da Pastoral do Menor (PAMEN), que ao longo da sua existência em Santarém vem provocando mudanças positivas na vida de muitas crianças, adolescentes e jovens, como também de suas famílias.

Desde o início, a Pastoral do Menor vem cumprindo com a sua missão primeira de promover e defender a vida das crianças e dos adolescentes empobrecidos e em situação de risco, desrespeitados em seus direitos fundamentais.

O bispo Dom Luciano Mendes de Almeida é considerado o pai da Pastoral do Menor no Brasil.
Foi quem articulou em São Paulo, em 1977, os primeiros passos para atender uma situação desumana de mais ou menos sete milhões de “menores” que, naquela época, trabalhavam e/ou viviam nas ruas perambulando pelas cidades brasileiras.

Irmão Ronaldo David Hein nasceu nos Estados Unidos, cidade de Evansville, estado de Indiana, no dia 20 de junho de 1932. Hoje, portanto, completa 87 anos.

Seus pais eram descendente de famílias imigrantes da Alemanha. Veio para o Brasil em agosto de 1965, estava com 33 anos de idade. Sua primeira parada foi no Rio de Janeiro, na cidade montanhosa de Petrópolis. Lá participou do curso de inculturação brasileira e começou a aprender a língua portuguesa.

Após o curso seguiu para o Colégio Notre Dame, em Campinas, São Paulo, onde ficou até dezembro de 1968. Nesse período, segundo ele, começou a aprender o jeito brasileiro de ser. Ficou marcado pela facilidade das pessoas se comunicarem através de abraços, reconhecendo depois, que a partir desse relacionamento, sentiu-se melhor como ser humano.

Veio para Santarém no final de 1968, foi morar em Emaus, comunidade de Diamantino, onde por três anos ficou como diretor dos noviços. Ainda não lecionava no Dom Amando. Depois passou a lecionar física, ciências e desenho mecânico, por 17 anos.

Irmão Ronaldo escreveu a história da Pastoral do Menor com o coração. Na verdade ela representa parte memorável da sua própria história, da sua própria vida, construída sobre sólida formação cristã, fundamentada no amor ao próximo.

Para ele, a PAMEN deve trazer sempre viva a proposta da mística evangélica de acolhida aos pequenos, lema da Campanha da Fraternidade de 1987: “Quem acolhe o menor a mim acolhe” (Mc 9,37), compreendendo “menor” como aquela criança e adolescente esquecido, rejeitado e excluído, dentre todos. O termo “menor”, para a pastoral é um conceito teológico e não jurídico.

Em 2017, no segundo semestre, Irmão Ronaldo foi transferido para trabalhar em Belo Horizonte, foi ajudar no início de uma nova comunidade de formação.
Ao se despedir dos companheiros da Pastoral, escreveu:

"Foram 35 anos de trabalho com a equipe da PAMEN. Caminhamos juntos, colhendo as alegrias e enfrentando os desafios. Conseguimos ser fortes e influentes na vida de muitas crianças, adolescentes e jovens que agora são homens e mulheres com suas próprias famílias, trabalhando para que haja tempos melhores. Fui com o coração partido, mas tranquilo, sabendo que estava cumprindo a vontade de Deus".

No dia que for possível retornar, Irmão Ronaldo, Santarém estará de braços abertos para recebê-lo. O senhor trouxe paz ao interior de muitos lares mocorongos, encaminhou vários jovens cujo destino era incerto.

Desejamos saúde e paz ao Irmão Ronaldo.


           


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