O imortal Emir Bemerguy - 03.04.2019

O imortal Emir Bemerguy

Se vivo fosse, Emir Bemerguy estaria completando hoje, 4 de março, 86 anos.

Emir foi parceiro do ICBS. Parceiro de confiar nos propósitos do Instituto e doar para o seu acervo, o que ele dizia que era a mais valiosa relíquia do seu arquivo, os originais do livro Tupaiulândia, do historiador e seu amigo Paulo Rodrigues dos Santos.

Através do ICBS editamos três livros do Emir: Diário de um Convertido (2000); Santarém momentos poéticos (2007); e Santarenices, coisas de Santarém (2010). Em 2014 o Instituto de Artes do Pará editou Enquanto eu me lembro.

No livro Diário de um convertido ele traça sua biografia:

"Emir Hermes Bemerguy, nasceu a 4 de março de 1933, em Fordlândia, Pará. Filho de Vidal e Raimunda Bermeguy, fez o curso primário no “Grupo Escolar Henry Ford”, na vila de Belterra.
Entre 1944 e 1948 estudou no “Colégio Dom Amando”, em Santarém e, concluído o curso ginasial, foi para o “Colégio Nazaré”, em Belém, onde esteve interno e concluiu o curso científico, no período de 1949 a 1951.
Em 1954 ingressou na Faculdade de Odontologia do Pará, sendo colega de turma de sua esposa Berenice, com quem se casou em 1958. Tiveram os seguintes filhos: Emir, Vidal, Telma (falecida), Márcia, Lúcio, Lila, Socorro e Lourdes, sendo as duas últimas adotivas. Hoje possuem sete netos.

Durante perto de trinta anos lecionou diversas matérias nos Colégios “Santa Clara”, “Dom Amando”, “Rodrigues dos Santos” e nas Faculdades Integradas do Tapajós, todos em Santarém. Participou de sessenta Cursilhos de Cristandade em Boa Vista (Roraima), Parintins, Maués, Óbidos, Belém e na terra adotiva.
Ao longo de vinte e um anos foi colaborador domingueiro de “O Liberal”, onde publicou mil e cem artigos, ainda não perenizados em livros. Tendo adoecido em 1998, suspendeu a remessa das crônicas semanais ao maior jornal da Amazônia. Escreveu em quase todos os órgãos da imprensa santarena, a partir de 1960, divulgando textos variados, inclusive poemas.


Possui considerável obra literária, praticamente inédita, havendo publicado apenas um livro, em 1983, com o título de “Aquarela Mocoronga”, uma coletânea de versos sobre a “Pérola do Tapajós”. Em 1998 organizou a “Antologia dos Poetas Santarenos”, para a Coordenadoria Municipal de Cultura. Agora, cedendo a pressão constante de amigos e com o apoio do prefeito municipal, doutor Joaquim de Lira Maia, inicia a impressão de seus trabalhos."

Antes de iniciar a narrativa do seu dia-a-dia no livro Diário de um Convertido, conta emocionado seu reencontro com Cristo, a Fé e a Felicidade:

"A esta altura da vida, sou um homem de Comunhões diárias. Há quatro anos, dentro de um Cursilho de Cristandade, encontrei, afinal e para sempre, aquilo que vinha desesperadamente buscando, numa perseguição dramática, dilacerante, que por bem pouco não acabara comigo: CRISTO, a FÉ, a FELICIDADE! Hoje, portanto, mesmo sem conseguir fazê-lo como anseio e me proponho na alvorada de cada novo dia, tento pautar todos os meus atos pelos padrões evangélicos. Dizendo de outra maneira, mais simples: luto, hora a hora, por ser o cristão dos meus sonhos!
Fui um contumaz desertor dos templos, um bobalhão auto-suficiente, um pobre diabo que vivia a duvidar de tudo, um ímpio quase sem Deus. Posso resumir, enfim, toda a esplêndida realidade atual nas estimulantes palavras do iluminado São Paulo: - “Quem está em Cristo é um homem novo. As coisas antigas já passaram"
Relendo este diário, depois que me caíram as escamas dos olhos e senti n’alma o clarão divinal de uma Fé intensa e transfiguradora, eu me perguntei, de início, se deveria rasgar as páginas anteriores à minha conversão, deixando apenas os registros positivos da nova etapa. Mas decidi, com relativa rapidez: não, não tenho o direito de agir assim! E as “Confissões”, de Santo Agostinho? E o “Confiteor”, de Paulo Setúbal? Por mais que me envergonhem e martirizem tantos conceitos emitidos em meio às agitações de uma arrasadora crise espiritual, é preciso que aqui fique perenizado o lento, mas irreversível ingresso de uma alma nos caminhos de Deus. 28/9/1972

Intelectual de verve privilegiada, o convidei para participar do "Projeto Memória Santarena", do ICBS.
Com ele iniciamos o projeto em 1988, com a entrevista do José da Costa Pereira, famoso Zeca BBC. Depois vieram mais dez entrevistas: Wilson Fonseca, Dr. Aloísio Melo, Sófia Imbiriba, Dica Frazão, Wilde Fonseca, Alberto Dizencourt, Ubaldo Corrêa, César Sarmento e Edson Serique.

Faleceu no dia 13 de novembro de 2012. Mas um homem só morre de verdade quando ninguém se lembra mais dele.

Pelo que produziu, principalmente no campo da literatura, Emir é imortal.


        


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