Rádio Rural de Santarém: 52 anos - 08.07.2016

Frei Tiago Ryan chegou a Santarém no dia 25 de junho de 1943. Dia 09 de abril de 1958 o Papa Pio XII o nomeava bispo e no dia 05 de julho de 1964, um domingo, ele inaugurava a Rádio Rural, conhecida como Rádio Educadora. Dois meses após ter eclodido o Golpe Militar.

Com prefixo ZYE 29, na freqüência de 1.470 Khz em ondas médias, com 1 KW de potência. Seus transmissores e estúdio ficavam na Travessa Dom Floriano entre Manoel Maria (atual Plácido de Castro) e Coaracy Nunes, bairro do Caranazal.

Um mês antes da inauguração da rádio, maio de 1964, Frei Juvenal solicitou do professor de português do Colégio Dom Amando, Nicolino Campos, que indicasse seis alunos para teste de locução visando a formação do quadro de locutores da emissora. Tadeu Matos, Cláudio Serique, Domingos Matos, Fernando Assunção, Benedito Keuffer, conhecido como Estica e José Baldino, o Zé Graúdo, foram os selecionados. Todos aprovados no teste comandado pelo gerente da Caixa Econômica e homem da comunicação, Osmar Simões. Conversando com o Zé Baldino, ele me disse que devido ter que ingressar no Juvenato para ser Irmão da Santa Cruz, não chegou a trabalhar na Rádio Educadora.

Quem comandou a inauguração da rádio nos estúdios foi Osmar Simões. Após a abertura ele seguiu para a Catedral onde aconteceu a solene Missa de inauguração. Após a missa os transmissores e o estúdio foram abençoados por Dom Tiago Ryan. Em seguida aconteceu o corte da fita simbólica, sendo oficialmente inaugurada a ZYE 29.

Presentes à solenidade o arcebispo de Manaus, Dom João de Sousa Lima; o arcebispo de Belém, Dom Alberto Ramos; o bispo de Tefé, Dom Jaime; o prefeito Everaldo Martins e outras autoridades municipais. Participaram do primeiro dia de transmissão, como locutores, além de Osmar Simões, Antônio Pereira, Tadeu Matos e Orlando Borba.

Durante dez anos, de 1964, data da inauguração, até 1974, a programação da Rádio Educadora iniciava às 05h30 e se prolongava até às 23h00. Dentre os objetivos que nortearam a sua criação estava o de evangelizar, dar suporte às semanas catequéticas, aprofundando estudos sobre a Teoria da Libertação e a educação de adultos, através do Movimento de Educação de Base, o MEB, que tinha na sua equipe pioneira: Francisca Carvalho, Haroldo Sena, Arderico Pereira, Anadir Brito, Mirasselva Correa e Zuíla Lemos. Depois chegaram Aurenice Araújo, Ieda Campos, Onete Sena, Lourdinha Carvalho, João da Mata, Raimunda Moraes e Noélia Riker. O programa radiofônico do MEB ia ao ar logo após a Voz do Brasil.

A Rádio Rural teve no MEB a efetivação de um programa radiofônico pioneiro na Amazônia voltado para a educação da família rural. Trabalho que ia além de simplesmente ensinar a ler e escrever, mas que passava pela busca da conscientização do homem do campo, torná-lo protagonista na construção de uma ação que o conduzisse para uma realidade menos opressora.

A primeira transmissão esportiva externa da Rádio Educadora aconteceu no dia 24 de outubro de 1964, um sábado. Nessa época o aniversário de Santarém era comemorado nesse dia e, para festejar a data, foi programado o clássico RAI x FRAN no estádio Aderbal Corrêa. Sob o comando e narração de Osmar Simões, a equipe esportiva da Rádio Educadora contou a goleada do Leão por 4x1: São Francisco 4x1 São Raimundo, decisão do 2º turno do campeonato santareno.

Além do locutor esportivo Osmar Simões, trabalharam nesse dia: Tadeu Matos e Luis Lisboa na cobertura atrás dos gols; Antonio Pereira no gramado como repórter e Djalma Serique como técnico. O árbitro foi Anastácio Miranda, famoso Beleza Preta. O prefeito Everaldo Martins inaugurou os refletores do estádio, foi o 1º jogo noturno da história de Santarém.

Nos anos 70, quando recrudesceu a opressão da ditadura militar aos meios de comunicação, a programação da emissora tinha que passar pela censura da Polícia Federal, com antecedência de 48 horas, para poder ir ao ar. Nesse período, entrou em operação a Onda Tropical, ZYA 69, com 5 KW, funcionando conjuntamente com a Onda Média, ZYE 29.

A emissora, nesses seus 52 anos, teve nove gerentes: Antônio Pereira, Francisca do Rosário Carvalho, Haroldo Sena, Manuel Sena Dutra, Eduardo dos Anjos, e os padres Luiz Pinto, Valdir Serra, Edilberto Sena e o atual Auricélio Paulino.

Dentre os vários programas apresentados pela Rádio Rural destaco alguns que marcaram época na radiodifusão santarena: Domingo após a Missa, apresentado pelo Osmar Simões, que depois passou a ser denominado E-29 Show, com Ércio Bemerguy e Ednaldo Mota; Sinval Ferreira Atende; Papo Informal, com Ednaldo Mota; Nossa Serenata, apresentado pelo Eriberto Santos; Alvorada Rural com Gerson Gregório, Correspondente Rural, Bazar Brasileiro, com Jota Ninos...

No futebol tivemos o Apito Final, com Tadeu Matos e Cláudio Serique; Rolando a Bola; Bola dividida; Da bola ao Box, com Ivaldo Fonseca e Luis Carlos Botelho; Eu falo com você, com o Raimundo Gonçalves, que fazia homenagem a um jogador do passado. Fui um dos homenageados pelo Raimundo.

No jornalismo: Jornal da Manhã; Jornal do Meio-Dia; Jornal da Noite, e os polêmicos editorias do padre Edilberto Sena.

Toda empresa é feita de gente. Quem nunca escutou esse famoso clichê? Na Rádio Rural, destaco as figuras de Osmar Simões, Ednaldo Mota, Ércio Bemerguy, Sinval Ferreira, Bena Lago, Edmar Rosas, Cláudio Serique, Eriberto Santos, Santino Soares, Gerson Gregório, Sampaio Brelaz, Jota Parente, Osvaldo de Andrade, Oti Santos, Hélio Nogueira, Natalino Sousa, Ivaldo Fonseca, Luis Carlos Botelho, Minael Andrade, Lígia Mônica, Domingos Campos, Everaldo Cordeiro, Joelma Viana, Rosa Rodrigues, Wander Luis, Orlando Borba, Ferreira Pires, Gervásio Bandeira, Eufrásio Brito, Olimpio Guarani, Ruy Guimarães, Thompson Mota, Sérgio Fonseca, Peninha Sadeck, Geraldo Bandeira, Leal de Sousa, Bena Santana, Campos Filho, Dário Tavares, Miguel Pinto, Euládio Belizário, José Ibanês, Ednaldo Rodrigues, Dornélio Silva, Armando Carvalho, Cléo Neves, Adriana Lins, Dira Cordeiro, Cíntia Camargo, Rui Neri, Núbia Pereira, Leíria Rodrigues, Miltinho... Peço desculpas aos que esqueci de mencionar. A omissão é involuntária, que seja perdoada.

Sem falar na turma de apoio: Maria dos Remédios, Getúlio Sarmento, Celso Wanghon, Francisco Sousa, Wilson Cardoso, José Afonso, Guarani Júnior, Cezário Torres, Silvério Rodrigues, Miracildo Corrêa, Evadir Cardoso, Tadeu Maia, Manolo Santos, Elias Dourado, Anselmo Gama, Lord Edgar, Amir Calderaro, Luis Roldão, Crisólito Pinheiro, Luis Carlos de Moraes, José Maria Gama, Jurandir Anselmo, Jair Pedroso, Lamberto de Carvalho, Nonato Nascimento, Dadá, Rony Dantas...

Passei uma breve temporada pela Rádio Rural. Fui comentarista "freelancer", fiz parte da equipe de esportes comandada, já na época, final da década de 1980, pelo Ivaldo Fonseca. Minael Andrade, Rai Pereira, Erasmo Moura, Rai Tavares, Luis Carlos Botelho e o Edu Castro completavam a equipe. Demorei pouco por lá, um incidente durante o jogo da falsa seleção do Luciano do Vale em Santarém, quando fui ameaçado de morte na cabine da Rádio, me fez abandonar a "profissão". Um dia eu conto essa história!

Apresentei com outros extensionistas da Emater os programas "Fruto da Terra" e "Várzea e Terra Firme".

Dom Tiago faleceu no dia 12 de julho de 2002. Estava com 81 anos.

Morreu o criador, ficou a criatura. Que a Rádio Rural viva, pelo menos, mais 181 anos!

Quando uma criatura humana desperta para um grande sonho e sobre ele lança toda a força de sua alma, todo o universo conspira a seu favor. 

A frase não é minha, é de Johann Goethe.