terça-feira, 9 de agosto de 2022

Sebastião Tapajós, 50 anos de vida artística - 23.12.2016


Em janeiro de 2009, dia 17, um sábado, fui procurado pelo deputado estadual Alexandre Von. Veio ao ICBS acompanhado do nosso amigo renomado, violonista Sebastião Tapajós, que trazia consigo uma pasta contendo recortes de revistas e jornais, com artigos e cartazes das suas apresentações no Brasil e exterior.

Fiquei admirado com o conteúdo do material impresso, pois sabia que o Sebastião não ligava muito para o que saía na imprensa sobre sua carreira artística. Disse-me depois que aquele material foi o que sua esposa Tânia tinha conseguido recuperar do muito que já tinha sido extraviado, e que existiam outras pastas iguais àquela em sua residência.

Alexandre me explicou que sua idéia era produzir uma espécie de currículo ou catálogo das obras musicais do Sebastião, a fim de subsidiar o Dr. Mário Ribeiro no projeto que iria apresentar à UEPA, propondo que a universidade concedesse ao Sebastião o título de Doutor Honores Causa.

Aceitei a ideia do Alexandre e acrescentei que, pela quantidade e qualidade do material contido nas pastas, poderíamos também editar um livro biográfico da carreira artística do Tião. Ele topou! No sábado seguinte, dia 24, fui até a casa do Sebastião Tapajós conversar com ele e a esposa Tânia. Mostraram outras pastas com farto material sobre a vida do Sebastião, que eu trouxe para iniciar os trabalhos no ICBS.

Voltamos a nos encontrar no início de Abril, no ICBS, quando mostrei ao Alexandre e Sebastião uma boneca do livro. Ao ver e folhear o livro, Sebastião começou a lacrimejar e veio me abraçar. Seria o primeiro livro editado sobre a sua vida, estava emocionado.

Organizar os arquivos do Tião, trabalhar com fragmentos de sua história de artista precoce foi tarefa gratificante, em todos os sentidos. Mesmo tendo em mãos farto material sobre a sua vida artística, sabia que representava apenas ínfima parte do que se escreveu sobre sua extensa carreira de músico profissional, iniciada em Belém no ano de 1961 integrando o conjunto "Os Mocorongos", dirigido pelo professor Gelmirez Melo e Silva que teve visão de investir no potencial artístico do jovem talento santareno.

Não procurei garimpar novas noticias, prendi-me somente ao material recebido da dona Tânia, por considerar que tinha em mãos uma mostra representativa do que o mundo pensava e pensa sobre a arte musical de Sebastião Tapajós.

"Ele cultiva de tal forma a arte de sua música que às vezes parece irreal”, assim se expressava, já em 1981, a imprensa especializada alemã, onde é considerado um violonista dos mais criativos e originais e que já tinha lhe concedido o prêmio de melhor disco estrangeiro de 1978, com o disco “Guitarra Latina”. Em 1982, ainda na Alemanha, Sebastião recebeu o “Grande Prêmio do Disco” conferido pela Deutsche Phono-Aka Demie com o LP “Guitarra Criolla”.

Ele, que nasceu em 1942 dentro de um barco nas águas do maior rio do mundo, o Amazonas, quando sua mãe viajava de Alenquer para Santarém, viria a ser considerado em pouco tempo um dos maiores violonistas do mundo, se apresentando nos palcos da Europa, só ou acompanhado de Baden Powel, Zimbo Trio, Sivuca, Hermeto Paschoal, Airto Moreira, Egberto Gismonti, Altamiro Carrilho. Todos também reconhecidos internacionalmente pela qualidade das suas produções musicais.

A oportunidade de manusear o acervo do Tião me permitiu conhecer com mais profundidade a vida desse mago do violão, de quem fui vizinho na infância vivida no Morro da Fortaleza, em Santarém, sem desconfiar que estava sendo privilegiado testemunha do inicio da sua marcha triunfal rumo ao estrelato, que começou com o disco "Apresentando Sebastião Tapajós e seu Conjunto", produzido em Belém em 1963.

Dei ao livro, lançado em Santarém por ocasião da 6ª edição do "Salão do Livro", em 2013, em parceria com a Secretaria Municipal de Cultura (SEMC). o título "Sebastião Tapajós: 50 anos de vida artística". Nessa data Alexandre Von já era prefeito de Santarém.

Ainda em 2013 a Universidade do Estado do Pará concedeu-lhe o título de Doutor Honoris Causa.


                 


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