O atleta do século XX - 06.08.2019

O atleta do século XX

Seu nome é Paulo Benedito dos Santos Braga. 
Nome grande, associado a um físico pequeno. 
Físico pequeno que abrigou um futebol gigante. 
Para corrigir o desencontro entre nome e físico, recebeu o apelido de Quarentinha.

Em 2.000 foi homenageado pelos jornalistas esportivos paraenses como o atleta do século XX. Em 2010, em nova eleição, foi apontado como o maior craque do Paysandu de todos os tempos.
Vestiu a camisa número 10 azul-celeste de 1956 a 1973. Disputou 18 temporadas, foi 12 vezes campeão paraense.

Domingo passado, aos 84 anos, o ex-jogador e ídolo do Paysandu foi vítima de um assalto quando caminhava pela travessa Curuçá, esquina com a Ferreira Pena, bairro do Umarizal. 
Quarenta foi abordado por um criminoso disfarçado de mototaxista. O assaltante foi atraído pelo cordão de ouro que ele usava. Detalhe: segundo a família, cordão adquirido em Santarém, em 1969, durante excursão que o Papão realizou para enfrentar o São Francisco no Aderbal Corrêa. Amistoso que venceu por 1x0, gol do atacante Wilson. 
Cordão que era uma das suas relíquias.

Lendo as notícias da capital, fiquei sabendo que ele reagiu ao assalto. Na tentativa de evitar a fuga do bandido com o seu precioso cordão de ouro, teve a infeliz ideia de agarrar-se à garupa da motocicleta. Caiu e sofreu forte baque na cabeça, além de escoriações pelo corpo. 
Felizmente não foi baleado, como acontece nesses embates com bandidos. Foi levado na hora para o hospital e, fora de perigo, encontra-se em sua residência.

Quarentinha media 1,58m de altura, deve ter encolhido um pouquinho com a idade. 
Uma estátua foi erguida em sua homenagem no estádio da Curuzu. A festa ocorreu no dia 18 de outubro de 2014, data em que completava 79 anos. 
Funcionário público aposentado, Quarenta construiu rico museu particular em sua residência, onde guarda praticamente tudo da sua história de jogador de futebol fabuloso que foi. 
Museu que ainda não conheço!

Tive o prazer de fazer parte dessa rica história futebolística do Quarentinha. 
Na verdade uma participação efêmera, mas que deixou gratas lembranças, marcas de um tempo em que convivi com esse jogador e cidadão espetacular, na sua essência humilde de viver, mesmo sendo ídolo de uma nação chamada Paysandu.

No final de 1968 fui contratado pelo Paysandu. 
Em 1969 excursionamos a Santarém para amistoso contra o São Francisco, em seguida conquistamos o título paraense. Devido a constantes contusões, abandonei os gramados no ano seguinte, maio de 1970.

Em março de 2015, a convite do peladeiro Wilson Rego, nosso time de pelada do Campo Novo foi a Belém enfrentar o time do coronel. 
Tinha chovido, grama alta, joguei trinta minutos e saí, estava ruim pra mim. Vencemos por 3x2, depois aconteceu a festa de confraternização preparada pelo Wilson, com direito a jantar e música ao vivo.

Meu preclaro amigo coronel Wilson preparou-me uma surpresa daquelas de arriar o queixo. 
Levou para participarem da festa Quarentinha e Beto, craques do Papão com quem convivi em 1969 e há muito não conversava com eles. 
O zagueiro santareno Belterra que também jogou pelo Paysandu, estava presente.

Experimentei momentos de felicidade. Beto e Quarenta, os dois formaram um meio-campo que marcou a história do clube, onde destaca-se a vitória contra o Peñarol, 3x0 em 1965. Não era um Peñarol qualquer, era o Peñarol de Mazurkiewicz, Pablo Forlán e Pedro Rocha, comandados por Roque Máspoli. O time uruguaio estava há 15 partidas sem perder.

A emocionante vitória mexeu com a criatividade de Francisco Pires Cavalcanti e Clodomir Colino, que escreveram e musicaram a marchinha que virou o segundo hino do Paysandu:
“Uma listra branca, outra listra azul / essas são as cores do Papão da Curuzu / O nosso time joga pra valer / Até o Penãrol veio aqui pra padecer."

Quarentinha e Beto relembraram aquele nosso tempo de convivência, dentro e fora de campo. Ganhei de presente uma camisa autografada pelo Quarenta, Beto e Paulinho. 
Camisa comemorativa ao centenário do Paysandu.

Tudo devidamente registrado para a posteridade, que se avizinha a passos largos.

Foto1 - Estátua do Quarentinha
Foto 2 - Beto, Quarentinha e Cristovam Sena. 
Foto 3 - Time do Paysandu 1969: 
Em pé: Cristovam, Omar, Jorge Corrêa, João Tavares, Tito e Carlinhos
Agachados: Almir, Quarentinha, Bené, Zezinho e Da Costa.


        


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