Sebastião Tapajós: parabéns - 16.04.2019

Sebastião Tapajós: parabéns

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Meu amigo Sebastião Tapajós nasceu no dia 16 de abril de 1942. Comemora hoje seus 77 anos de vida.
Nasceu dentro de um barco nas águas do maior rio do Mundo, o Amazonas, quando sua mãe viajava de Alenquer para Santarém.
Até hoje persiste a perlenga entre as duas cidades, cada uma a exigir a naturalidade do nosso violonista maior.

Em 2009 fui convidado pelo Alexandre Von, na época deputado estadual, a produzir um trabalho sobre a vida do Sebastião Tapajós. Lá se vai uma década da edição do livro "Sebastião Tapajós: 50 anos de vida artística". Livro que fez tremendo sucesso.

Organizar os arquivos do Tião, trabalhar com fragmentos de sua história de artista precoce foi, para mim, tarefa gratificante, em todos os sentidos.
A oportunidade de manusear o acervo do Tião me permitiu conhecer com mais profundidade a vida desse mago do violão, de quem fui vizinho na infância vivida no Morro da Fortaleza, sem desconfiar que estava sendo privilegiado testemunha do inicio da sua marcha triunfal rumo ao estrelato, que começou com o disco "Apresentando Sebastião Tapajós e seu Conjunto", produzido em Belém em 1963.

Em 2018 participei da equipe que organizou a homenagem denominada “Santarém do Tapajós: Rio abaixo Rio acima”, que aconteceu no mês de maio, dia 29, na Casa da Cultura. Festa bonita em tributo ao Sebastião Tapajós.
Na ocasião o filho Ricardo apresentou a discografia do pai Sebastião, contendo 59 discos.
Seus amigos Odilson Matos e Paulo Ivan cantaram, e o Regional Mocorongo interpretou músicas do Tião.
O prefeito Nélio Aguiar sancionou a Lei que concedeu benefício de 3 salários mínimos ao Sebastião e, por fim, a festa foi encerrada com a bateria do Bloco da Pulga cantando o Samba Enredo em homenagem ao Sebastião Tapajós.

Retornando ao "Sebastião Tapajós: 50 anos de vida artística". O Edgar Augusto, amigo do Tião, foi quem prefaciou o livro. Prefácio que transcrevo agora, como forma de homenagear o genial aniversariante.

"Sebastião Tapajós disse ao Cristovam Sena que eu sabia tudo sobre a carreira dele. Quem dera... Não, não sei tudo. Gostaria de, mas não sei. O que sei, na verdade, vem de observações cheias de admiração a quem reputo como dono do maior violão da Amazônia. E não de agora, de muito tempo para cá, desde época em que, ainda criança, eu o assistia tocar pela TV Marajoara sob apresentação do Professor Gelmirez Melo e Silva.

Estávamos no começo dos anos sessenta e eu já gostava de rock. Sorte era não ser radical e também poder sentir a boa música de outras formas. Uma delas, a que Sebastião tocava.
Ele tinha um som diferenciado, um modo todo próprio de bater naquelas cordas. Jamais, por isso, deixei de acompanhá-lo. Tinha todos os seus discos, desde os daqui pelo Brasil, comandando grupos, até os de concertos e de jazz que saiam pelo exterior.

Quando jornalista, bem jovem, lembro, fiz uma entrevista com Tião pelo telefone para jogar num programa de rádio. Foi sensacional.
Outra vez, embevecido, o vi tocar ao cair da tarde na Ilha dos Amores, praia do Farol, em Mosqueiro, diante de uma plateia absolutamente encantada.

Nunca aprendi violão, engraçado. Preferi a minúscula gaita de boca. E não é que meu violonista preferido gravou um disco com o Maurício Einhorn, justo o cracão da dita cuja? Juro que tentei aprender "Luar de Joá", mas nunca consegui.

Aliás, houve uma vez em que chegando a minha casa no Mosqueiro, ao lado do Paulo André Barata, ele me surpreendeu tentando ensaiá-la sob acompanhamento de meu saudoso pai, Edyr Proença. Quase morri de vergonha.

Hoje continuo admirador do Tião, admirador e amigo dele. Tenho o maior orgulho desse fato. Égua, sou amigo do maior violonista da Amazônia, um cara que quando faz concertos pela Europa a turma é obrigada a reservar os ingressos com um mês de antecedência.

Às vezes acho que não sei nada sobre o Tião, às vezes acho que sei pelo menos um pouquinho. A admiração pela arte dele, está comigo, ainda é a mesma dos tempos da TV Marajoara.

Tudo o que acabei de dizer teve o coração como principal porta-voz, o coração de um crítico de música, mas o coração também de um fã daqueles fidelíssimos.

Tapajós ganhou um livro. E eu a alegria imensa de fazer parte dele."


        


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