A burrice, a ignorância e a desonestidade - 02.04.2020

A burrice, a ignorância e a desonestidade

Dizem os entendidos no assunto que o bom humor nos ajuda a viver melhor. Acredito e espero que seja verdade!

Gosto de rir, de contar piadas. Já fui considerado pelos amigos um bom contador de piadas, desde os tempos de Dom Amando, quando na hora do recreio íamos para debaixo de uma árvore que existia logo na saída do prédio, de frente para o encontro das águas, e ficávamos a nos divertir com as piadas do dia.

Na biblioteca do ICBS existem vários livros do Nelson Rodrigues (1912/1980) e do Millôr Fernandes (1923/2012), para mim, no Brasil, os melhores no estilo de humor apimentado que incomodava e afligia os que se sentiam ofendidos pelas suas saudosas ironias, que hoje fazem tanta falta.

O pernambucano Nelson Rodrigues, escritor, jornalista, romancista, cujas frases ficaram célebres, teve a coragem de desnudar, em suas crônicas "A vida como ela é", as entranhas da elite carioca e brasileira da época, onde mostrava seus incestos, pedofilias e homossexualismo que todos fingiam que não existiam entre eles.

Nelson Rodrigues pegava pesado com os idiotas, com os burros:

"A burrice é diferente da ignorância. A ignorância é o desconhecimento dos fatos e das possibilidades. A burrice é uma força da natureza."

Convivi com pessoas ignorantes e burras.

Convivi também com pessoas inteligentes, sábias até, que deixaram um legado inestimável na minha capacidade de interpretar o mundo, interpretar as suas dicotomias que podem nos levar à intolerância, quando conduzidas pela falta de compreensão da própria necessidade delas existirem.

Uma dessas pessoas foi o saudoso amigo Eymar Franco.

Ainda bem que a ignorância é uma doença que tem cura.

O remédio para a sua cura é antigo: livros.

O estudo cura a ignorância, o desconhecimento dos fatos e das possibilidades.

Como a burrice, segundo Nelson Rodrigues, é uma força da natureza, ela é incontrolável como um tufão, um ciclone, um terremoto.

O estudo não consegue curar a burrice.

Não devemos esquecer o que observou o jornalista Aparício Torelly (1895/1971), o Barão de Itararé:

"Diploma não encurta orelha de ninguém".

O burro é um animal infértil, fruto do cruzamento de um cavalo com uma jumenta, ou entre uma égua e um jumento.

O burro Homo sapiens, porém, consegue se reproduzir, e é aí que mora o perigo.

Alguém pode perguntar, e a desonestidade do título?

Está aqui representada pelos ladrões do erário.

São perigosos, também. Para eles existem as leis, a justiça, a prisão. Podem ser controlados!

O Estado não pode é negligenciar com essa turma, como vão deixando suas digitais por onde passam, não é tarefa difícil serem identificados, julgados e trancafiados. Alguns até já foram.

Eles precisam temer as leis e a justiça.

Quando a lei, a justiça e a prisão não funcionam, o caos institucional é iminente.

É nosso dever cultivar o caráter e a moral no seio da família, para educar nossas crianças a serem, na sociedade, adultos multiplicadores do bem e da justiça.

A ignorância e a desonestidade sofreriam forte baque se as famílias cumprissem seu papel.

Mas como exigir isso da esmagadora maioria das famílias brasileiras, meus amigos, fragilizadas que estão, sem condições de gerar renda suficiente para ter acesso sustentável aos recursos básicos que garantam uma qualidade de vida digna, com educação e saúde para seus filhos?

Infelizmente o caráter não é hereditário.




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